Sobre sebos e livros usados
Sempre que vou à Teresina tento encontrar um pretexto parar ir ao Centro, um passeio que sempre acaba em caldo de cana com pastel e uma esticada nos sebos da Av. Antonino Freire. Essa avenida é um dos locais mais peculiares de Teresina, segundo o Guinness Book, o livros dos recordes, é a menor rua do mundo. Tem apenas dois quarteirões, 200 metros de cumprimento. Esses locais estão cada dia mais escassos, infelizmente.
O cheiro de papel velho faz minha rinite crônica gritar por socorro mas isso não me intimida. Nada que um bom antialérgico não resolva. O livreiro do maior sebo da região está no ramo desde a década de 60 e continua a resistir. O atendimento não é dos melhores, o ambiente é apertado, extremamente desorganizado. Mas eu sempre volto, o garimpo compensa. É preciso sorte, paciência e um olhar atento. Já encontrei livros que custam uma pequena fortuna na internet por um preço irrisório.
Ando mais alguns poucos metros na mesma avenida e escuto uma das Estações de Vivaldi em volume altíssimo. Confesso que demorei alguns segundos pra processar essa informação. Me deparei com um rapaz muito bem vestido dentro de um estande de livros, que apesar da pouca variedade, mantém o acervo organizado por assunto, precificado e plastificado. Mesmo não encontrando nada, o atendimento cordial me fez querer voltar outras vezes.

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