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 Viajar com muita bagagem é sempre um suplício. Todas as vezes que tenho que arrumar uma mala tento levar o mínimo possível. Ainda mais agora que as companhias aéreas estão cobrando uma taxa extra para despachar, que em teoria deveria diminuir o preço das passagens. O que nunca aconteceu. Meus problemas com malas dariam assunto pra várias crônicas. No entanto, escolhi duas situações que se destacam pelo nível de absurdos que parecem terem saído de alguma comédia non sense. Viajei de Teresina até Minas Gerais para a formatura de um amigo. Foi uma viagem marcante não só pelo incidente que vou contar a seguir, mas por ter sido a minha primeira viagem aérea e sozinho. Fui a uma loja bem conhecida que vende calçados, artigos esportivos e comprei uma mala que não era tão cara e aparentemente era de boa qualidade. Ledo engado. Assim que desembarquei no Aeroporto de Confins notei que as costuras estavam se soltando. Daí surgiu o dilema: devo ir ao balcão da Companhia reclamar ou pegar o ...

Sobre Releituras

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Ultimamente tenho inserido releituras em meio às minhas leituras correntes. Até alguns anos atrás isso era uma ideia inimaginável pra mim. Será isso um sinal de maturidade?  E tem sido uma ótima experiência. Com o passar dos anos e o acumulo de livros e anos comecei a sentir uma necessidade recorrente de revisitar histórias, lugares e autores caros. Isso acaba sempre desencadeando muitas lembranças de situações vividas durante a leitura desses livros. Além disso, sempre que tenho uma ressaca literária ou me sinto meio perdido alguns desses livros me ajudam a reencontrar o meu norte. Esse texto surgiu por acaso, como a maioria dos outros desse blog. Que sempre brotam de uma conversa com um amigo ou situação inusitada. Esse, por exemplo, me veio à mente depois que entrei em um sebo e me deparei com um exemplar de Cristo Parou em Eboli do escritor italiano Carlo Levi . Um dos meus livros favoritos, raríssimo e injustamente esgotado no Brasil desde os anos 80. Como sempre, o livreiro ...

É o fim!

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  O mundo muda todos os dias, costumes e hábitos vêm mudando nossa rotina e com a correria frenética da vida não damos importância. Situações corriqueiras que acontecem pela última vez e você somente se dá conta quando elas se extinguem completamente. Foi assim com o fim das vídeo locadoras, por exemplo. Essa semana o Jornal Meio Norte anunciou, após trinta anos, que deixará de circular em versão impressa e seguirá apenas on-line. Para se despedir dos assinantes e dos que já foram assinantes enviou seu último numero como cortesia ou como lembrança do fim de uma era no jornalismo. Isso me provocou uma sensação de vazio misturada com enxurrada de nostalgia e boas lembranças. Naquela época não nem se pensava em internet e o jornal e as revistas impressas eram as minhas principais fontes de informação. No início da adolescência eu trabalhava na loja dos meus pais, a jornada começava cedinho. E o ponto do alto do dia era quando o jornal chegava. O cheiro do café fresco é uma delícia, ...

Livros têm alma

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Livros usados são objetos fantásticos e literalmente cheios de histórias. Adoro abrir um livro antigo e me deparar com a assinatura do antigo dono, encontrar uma dedicatória, um carimbo de biblioteca, um ex-libris. Esses vestígios me atiçam a curiosidade me fazem querer saber por onde esse livro esteve; em que livraria ele foi comprado; a quem ele pertenceu, quantas pessoas o leram antes de mim. Sempre que penso em comprar um livro, faço uma pesquisa em sebos e sites para saber se o usado está mais em conta que o novo. Páginas amareladas, dobradas, oxidação não me incomodam em nada. Pelo contrário, acredito que dão mais personalidade ao exemplar. Gosto de pensar que esses pequenos defeitos/marcas são como se fossem rugas, inevitáveis e implacáveis marcas da passagem do tempo.   Não gosto de marcar livros, a não ser em caso de estudos. Mas não me incomoda em nada que as pessoas o façam. Agora mesmo estou lendo um exemplar usado de uma biografia do escritor americano Truman Capo...

Sobre sebos e livros usados

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                                                                    Créditos da foto: Fernando Oliveira  Sempre que vou à Teresina tento encontrar um pretexto parar ir ao Centro, um passeio que sempre acaba em caldo de cana com pastel e uma esticada nos sebos da Av. Antonino Freire. Essa avenida é um dos locais mais peculiares de Teresina, segundo o Guinness Book, o livros dos recordes, é a menor rua do mundo. Tem apenas dois quarteirões, 200 metros de cumprimento. Esses locais estão cada dia mais escassos, infelizmente.  O cheiro de papel velho faz minha rinite crônica gritar por socorro mas isso não me intimida. Nada que um bom antialérgico não resolva. O livreiro do maior sebo da região está no ramo desde a década de 60 e continua a resistir. O atendimento não é dos melhores, o ambiente é apertado, extremam...

Flanar, eu preciso

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Que saudade de viajar.! Esses dias estou com esse pensamento recorrente. Provavelmente são lembranças que o livro O Flaneur do Edmund White vêm desencadeando. Saudade de planejar, pesquisar hotéis, passeios, fazer as contas pra ver se orçamento permitirá. Saudade até da chatice de arrumar a mala e conferir várias vezes se não esqueci de nada. Tenho pensado constantemente na sensação de chegar em um lugar desconhecido. Aquele frio na barriga quando me dou conta do quão longe de casa estou.  Minha mente ansiosa pensa em milhões de coisas ao mesmo tempo, principalmente em tudo que pode dar errado: serei barrado na imigração, terei a bagagem extraviada, o hotel não recebeu a reserva e por aí vai. Até agora nunca aconteceu nada disso. Mesmo assim só consigo relaxar depois de fazer o check-in e entrar no quarto pra deixar a mala. Uma das primeiras coisas que faço é explorar os arredores do hotel à procura de livrarias, sebos e cafés. Sempre me perco, mas nada que pedir uma informação a...

50 Panettones em um Táxi

 Há alguns anos viajei pra São Paulo com a minha irmã e voltamos pro Piauí com 50 panettones. Como isso aconteceu? Já explico. Em alguns shoppings da capital paulista, além das tradicionais promoções de fim de ano onde você troca os cupons fiscais por cupons. Em alguns além de participar do sorteio, a cada tantos reais gastos você ganhava panettones.  No primeiro shopping minha irmã comprou um celular e a compra dava o direito de trocar por 30 panettones. Eis, que começa a saga. Mesmo não gostando do tradicional bolo natalino, minha irmã estava irredutível. Era de graça e ela queria leva-los de qualquer maneira. Não adiantou argumentar que a fila estava grande, que não tinha como viajar com essa quantidade, que ela não gostava. Nada a convenceu.  Depois da troca começou a epopeia de pegar um táxi e voltar pro hotel com aquela quantidade descomunal de sacolas. Foi preciso muito jogo de cintura, paciência e ajuda do taxista pra acomodar tudo no carro. Uma parte foi no bagag...