É o fim!


 O mundo muda todos os dias, costumes e hábitos vêm mudando nossa rotina e com a correria frenética da vida não damos importância. Situações corriqueiras que acontecem pela última vez e você somente se dá conta quando elas se extinguem completamente. Foi assim com o fim das vídeo locadoras, por exemplo. Essa semana o Jornal Meio Norte anunciou, após trinta anos, que deixará de circular em versão impressa e seguirá apenas on-line. Para se despedir dos assinantes e dos que já foram assinantes enviou seu último numero como cortesia ou como lembrança do fim de uma era no jornalismo. Isso me provocou uma sensação de vazio misturada com enxurrada de nostalgia e boas lembranças.

Naquela época não nem se pensava em internet e o jornal e as revistas impressas eram as minhas principais fontes de informação. No início da adolescência eu trabalhava na loja dos meus pais, a jornada começava cedinho. E o ponto do alto do dia era quando o jornal chegava. O cheiro do café fresco é uma delícia, mas você já sentiu o cheiro de jornal recém-impresso? Mesmo não bebendo café o cheiro da bebida misturada ao odor do papel e da tinta é uma das melhores combinações desse mundo. Acho que é uma das coisas que mais fará falta nos impressos.

A concorrência de quem lia o jornal primeira era grande. Meu Pai, o assinante, saía pra tomar café e geralmente não estava quando o jornal chegava. Ele levava o exemplar pro escritório e só tínhamos acesso depois que ele o lesse inteiro. E não adiantava argumentar que queria somente uma parte. Ele não liberava de maneira alguma. Primeiro de tudo, ele odiava que lessem antes dele e que o jornal estivesse com os cadernos fora de ordem. E o outro argumento era que não podíamos ler durante o expediente. Esse segundo argumento nós sempre encontrávamos um jeito de burla-lo. E o trabalho nunca foi afetado.

Éramos três pares de olhos ansioso à procura do entregador descendo a rua.   que queria somente a parte de cultura e os classificados. Sim, eu lia até os classificados e me divertia bastante à procura de anúncios incomuns ou bizarros. Quem iam desde corações solitários à procura de companhia a “profissionais” que ofereciam sortilégios diversos, principalmente aqueles que prometiam recuperar aquele o amor perdido em sete dias, ou seu dinheiro de volta.

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